História dos imigrantes Boêmios da Serra Gaúcha
A atual República Tcheca é formada pelas regiões da Boêmia e Morávia. Nos anos 1100 os senhores feudais atraíram os alemães para residirem em suas terras como camponeses, artesões e comerciantes. Realmente muitos se estabeleceram ali, inclusive nossos antepassados. Esses alemães da Boêmia passaram a ser chamados de “alemães dos sudetos” e desenvolveram uma cultura própria muito avançada.
A região pertenceu ao império alemão desde 1200 a 1806. De 1806 até 1918 integrou o império Áustro-Húngaro. Durante este período nossos antepassados boêmios, por livre e espontânea vontade, imigraram para o Brasil (lá império Áustro-Húngaro e aqui império Brasileiro). Em 1918 foi fundada a República da Tchecoslováquia e em 1938 Hitler anexou a região brutalmente ao III Reich. Muitos boêmios não concordaram, mas com o fim da segunda guerra, em 1945, a República da Tchecoslováquia foi reestabelecida.
Após 700 anos, em meados do século passado, em função dos vários conflitos, a convivência entre tchecos e alemães tornou-se cada vez mais difícil. Em 1818, o Dr. Benesh iniciou a política hostil aos sudetos. E entre 1945 e 1946 todos os sudetos tiveram seus bens confiscados, sua cidadania cassada, sendo imediatamente expulsos do país. Só ficaram os que eram casados com tchecos e filhos destes. Também deixaram ficar os que eram técnicos, necessários para a manutenção das indústrias.
Só com a roupa do corpo, documentos e alguns pertences, fugiram cerca de três milhões de sudetos e cerca de 240 mil sucumbiram. Dois milhões se fixaram na Baviera, 800 mil na antiga Alemanha Oriental e 250 mil em outros países.
A região dos sudetos era tipicamente industrial, e por isso eles contribuíram decisivamente na reconstrução da Alemanha, especialmente da Baviera, que rapidamente se transformou de um estado agrícola em potência industrial. Em agradecimento, em 1962, o governo da Baviera declarou os sudetos alemães um “grupo étnico bávaro”.
Em 1º de janeiro de 1993 a Tchecoslováquia foi desmembrada em República Tcheca e República Eslovaca. E depois de muitas negociações, em 21 de janeiro de 1997, a Alemanha e a República Tcheca assinaram a “Declaração de Reconciliação”.
Desde agosto de 2007, unidas pela história, Nova Petrópolis é cidade coirmã de Jablonec nad Nisou, da República Tcheca. Desde então vários contatos e intercâmbios culturais foram e estão sendo realizados, deixando no passado qualquer mágoa recíproca que possa ter havido entre as duas etnias. Afinal, a República Tcheca é o berço dos avós boêmios e o Brasil o berço de muitos descendentes que não esqueceram suas raízes.
Os boêmios germânicos vieram imigrados para o Brasil de 1874 em diante. Moravam na região da Boêmia, norte da República Tcheca. De origem alemã (1100), manifestaram os usos, costumes e a língua e ainda morava, nas Montanhas dos Sudetos. Por isso eram chamados de sudetos alemães pelo tchecos.
Na época da imigração para o Brasil, a Boêmia pertencia ao Reino Áustro-Húngaro. O imperador era Franz Joseph I, tio da Dona Leopoldina, casada com Dom Pedro I. Dona Leopoldina era austríaca e morava no Brasil, então Império Brasileiro.
Os boêmios vieram para o Brasil pelos mesmos motivos que os outros imigrantes, principalmente cansados de viver os conflitos da Europa: guerras e falta de empregos. E foi o Rio Grande do Sul, precisamente, Nova Petrópolis (Serra Gaúcha), o lugar escolhido para comprarem suas colônias e construir aqui sua nova pátria. Vieram com muitas profissões e trouxeram o gosto pela cultura e pela arte: música, teatro, religião...

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